terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

quando o benefício supera o risco

um ano e cinco meses. e ainda há tantos tombos pela frente...

o tito sempre foi muito agitado e isso o levou a "priorizar" a vontade em desenvolver mais e mais seu lado motor.
ao começar a engatinhar, ele já queria andar; ao começar a andar, ele já queria correr; ao começar a correr, as coisas complicaram bastante.

de repente descobrimos que ele subia em lugares perigosos para a sua idade e que depois não conseguia descer sozinho, mesmo que não tivesse alguém por perto.
ele simplesmente ia.
a nossa primeira reação foi se desesperar e correr para "salvá-lo".
a segunda e a terceira também.
e isso virou rotina pra gente, ficar de olho nele o tempo todo para que não aprontasse algo arriscado demais.

acontece que, com isso, estávamos deixando ele frustrado e irritado, e a consequência era ficarmos frustrados e irritados também, porque a todo momento ele quer subir em coisas, descer escadas, escalar o sofá, a cama, a estante, entrar no armário, em baixo do armário, em lugares onde ele não cabe, em lugares que não o suportariam...

a gente barrava ou ao menos freava o ritmo do seu desenvolvimento e aprendizado motor e cognitivo a favor da sua proteção física.
mas vimos num livro do john holt que, quando o benefício do aprendizado supera ou empata com o risco dela se machucar, vale a pena arriscar deixar a criança experimentar, avançar, descobrir ou tentar algo novo.

subindo sozinho uma escada por aí
bonito, mas e a coragem pra ver seu filho tão pequeno subir sozinho numa cadeira ou no sofá, correndo o risco de cair com a cara no chão? e pra convencer os familiares e os amigos que não somos malucos nem irresponsáveis e que isso na verdade está favorecendo o seu aprendizado, a sua confiança e a sua segurança na sua capacidade física?

obviamente, porém, há um limite entre o arriscado e o extremamente arriscado.
subir numa cadeira pode ser perigoso, mas dá pra encarar o risco.
subir na cadeira e depois na mesa de jantar já é elevar demais a aposta e, se algo der errado, o tombo literalmente é maior.
aos poucos a gente vai tentando fazê-lo entender esses limites e mostrando que outras coisas ao seu alcance ele pode fazer com toda confiança, pois passamos até a incentivá-lo.

nesse final de semana cansei de segurá-lo ao tentar descer ou subir uma escada feito trem desgovernado (ele segura na sua mão e joga o corpo todo pra frente, avançando os degraus ferozmente) e comecei a falar que não preciso mais ajudá-lo nisso, que ele consegue subir ou descer sozinho.

é claro que ele pode cair, mas acredito valer mais a pena ele ganhar mais confiança em si e saber que a gente vai encorajá-lo quando puder.

video

um ano e cinco meses. e ainda há tantos tombos pela frente...
mas em boa parte dos casos os benefícios superam (e muito) o risco.