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quarta-feira, 10 de março de 2010

a tal da cama compartilhada


para alguns, é tabu; para outros, a salvação.
desde que nos tornamos pais, ouvimos amores e dissabores em relação a cama compartilhada com os filhos e por isso resolvi perguntar mais e mais para quem tem filho o que acham a respeito, se concordam, se já tentaram, quais foram suas experiências etc e tal.

no geral, o grande medo encontrado nas pessoas é do filho se tornar dependente e manhoso demais por dormir na mesma cama que os pais.
outros defendem bastante a idéia de compartilhar a cama por várias razões: praticidade para a mãe amamentar; mais tranquilidade para os pais, já que o bebê está ali ao lado; sono mais prolongado do bebê, por estar cercado pelo cheiro da mãe, com fácil acesso ao peito para mamar quando quiser, calor humano, e a lista segue...

a gente tentou por uma semana deixar o tito no berço em nosso próprio quarto.
nada feito.
ele acordava a cada hora, se mexia muito, resmungava, a nanã tinha que se levantar a todo instante pra ver se era fome ou alguma outra coisa.
não demorou para a gente deixá-lo dormir conosco na cama, mas aí surgiram alguns pequenos problemas: ele não podia ficar em nenhum canto da cama para não correr o risco de bater com a cara na parede ou cair no chão, se ficasse do outro lado. ok, deixa o menino no meio. mas aí a nanã passou a dormir pior ainda, pois eu me mexo muito e ela passava as noites com um olho aberto e outro fechado pra garantir que eu não rolasse sobre o tito.
(aliás, num dia eu tava de costas para ele e comecei a me virar para ficar de barriga pra cima, quando senti uma mão impedindo meu movimento, segurando minhas costas. ela, com seus poderes de jedi, abriu os olhos naquele exato instante e garantiu que eu não virasse pra cima do tito. ufa).

legal, o jeito é ter uma cama king size.
tá, não vai rolar...
a gente desistiu de ter cama, colocou nosso colchão de casal no chão, acoplou um colchão de solteiro ao lado e bingo, nossa king size estava improvisada ao nosso jeito e o tito teria todo espaço do colchão de solteiro para dormir, com a nanã logo ao lado, já em nosso colchão de casal.
o resultado foi ótimo!
noites melhores e mais prolongadas, bebê dormindo mais tranquilo e mamando as vezes sem acordar (!), esposa um pouco mais disposta ao acordar (pois não teve que se levantar da cama várias vezes na noite), pai com mais espaço para se virar, e se virar, e se virar e... bom, vocês entenderam.

por enquanto, estamos contentes com a escolha e certos de que fizemos o melhor, tanto para ele como para nós.
sobre o medo da criança se tornar dependente e manhosa demais citado no início do post, bem, nós não acreditamos nisso.
acreditamos que quanto mais carinho e afeto os pais darem nos primeiros meses de vida dos filhos, menos carentes e manhosos eles serão no futuro, pois tem a certeza de que são amados, queridos e de que seus pais tem muito afeto e carinho para dar quando eles precisarem, sem que nenhuma barra precise ser forçada.

e você, o que acha?
diz aí a sua visão ou experiência sobre o assunto.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

escolhas conscientes nem sempre são fáceis


para uma mulher decidir qual tipo de parto ela vai preferir não é uma decisão simples, é algo muitas vezes assustador, rompedor de paradigmas familiares, que pode testar seus limites, suas crenças.
se algo não sair como ela havia sonhado, tudo pode desabar.
infelizmente é assim.

é infinitamente pior ver uma mulher que queria um parto humanizado e no fim teve que passar por uma cesárea que ver uma outra que escolheu a cirurgia por algum motivo qualquer, inclusive com data marcada.
é comum que a segunda, a que agendou a cesariana, não faça a menor idéia dos inúmeros benefícios que o bebê tem com o parto natural, nem das atrocidades médicas que fazem hospitais a fora em procedimentos-padrão, como na cirurgia que ela escolheu para trazer seu bebê ao mundo.
a ignorância é uma benção, dizem.
enquanto ela sai da maternidade feliz, a primeira, que queria um parto vaginal e teve que fazer a cirurgia, sai com uma cicatriz que ela não escolheu.

depois que o filho nasce, as escolhas e as não-escolhas continuam.
ao invés de se questionar "por que dar chupeta?" e ir pesquisar a respeito, é mais fácil e prático simplesmente dá-la ao bebê, já que a maioria faz isso.
quem não dá a chupeta provavelmente se sacode pra fazer o bebê se acalmar de outras formas, fica mais atento aos sinais de irritação dele, ao choro.
quando nada do já conhecido repertório funciona, o estresse chega e o cansaço bate, é difícil não pensar "por que eu não dou logo uma chupeta e acabo com isso?".

há mães que ouvem dos pediatras que é preciso dar leite artificial para complementar a alimentação do bebê nos primeiros meses de vida e assim o fazem sem questionamentos.
super simples.
são necessários uma lata de leite infantil e pelo menos uma mamadeira. ah! e alguém para alimentar o bebê.

quando uma mãe mais consciente decide que vai seguir a recomendação da OMS e amamentar exclusivamente sua cria por seis meses, a coisa é bem mais complicada.
você não precisa de mamadeira, mas de disposição para amamentar quando o bebê quiser.
não é qualquer pessoa que pode alimentá-lo, apenas a dona do peito.
sem contar que no brasil a licença maternidade obrigatória é de quatro meses, e não seis...
a escolha da amamentação exclusiva é linda, mas não é fácil.
como diz a nanã "pra amamentar tem que querer muito".

toda criança chora, mas não concordamos em deixar a criança chorar por muito tempo sem que a gente dê o suporte necessário para que o choro pare: colo, carinho, atenção, peito para ele mamar, banho, trocar fralda, de posição, o que for.
seria mais fácil fazer como a maioria e "deixar a criança chorar um pouco".
não, não pensamos assim.
é bonita a visão romântica do "farei o possível para não deixar meu filho chorando". mas é uma escolha difícil, muito difícil.
tem horas que nada funciona e o choro continua, os berros chegam.
a gente pensa por um segundo em desistir, em deixar chorar.
não dá.
uma escolha maior foi feita antes.

em situações como essas há pessoas que nos olham com uma cara de pena, tipo "coitados de vocês".
sinceramente, eu preferia que fosse o contrário: "que lindo ver vocês seguindo suas convicções, sem desistir com os obstáculos".
mas isso eu sei que cabe a nós dizer a nós mesmos em voz baixa, ou aguardar um gesto carinhoso do companheiro que demonstre esse sentimento.
"não desiste agora, você tá quase lá".

eu sou vegetariano e mesmo antes de pensar em ter filho já apontavam o dedo dizendo que seria um absurdo se eu não desse carne para meus filhos, que toda criança precisa de carne.
não daremos carne ao tito e até hoje somos questionados sobre isso (na maioria das vezes é por pura curiosidade mesmo, e não por indignação).

confesso, ser vegetariano não é fácil.
e essa é uma visão pessoal.
eu tenho vontade de comer carne às vezes.
divido isso com a nanã, que as vezes me diz ter vontade de comer hamburger.
um ajuda o outro a superar a vontade, lembrando do porque seguimos esse caminho.
então continuamos felizes com nossas escolhas.

nem sempre escolher o mais fácil significa escolher o melhor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

balde 3: o leite materno é fraco (?)





já ouço de algum tempo (antes de planejarmos ter um filho) essa história de que o leite da mãe "é fraco", que é melhor dar comida logo para o bebê, que não há mal nenhum em desmamar a criança logo nos primeiros meses de vida, etc etc.

como esse é um assunto muito delicado, começarei delicado como um elefante: a organização mundial da saúde enfatiza categoricamente que a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses de vida do bebê.
o dicionário houaiss define a palavra "exclusiva" como: 'que exclui, que elimina; que é privada ou restrita'.

ou seja, durante os primeiros seis meses, apenas leite materno, nada mais.

mas ainda rola um mito de que é melhor complementar a alimentação com outros alimentos e até vitaminas e suplementos infantis, na expectativa de prover o melhor para o bebê. porém, não há nada que um bebê precise mais nos primeiros meses que o leite de sua mãe.
além de ser rico em gordura, proteína e cálcio, que ajudam o bebê a crescer e a ganhar peso naturalmente, o leite materno é a principal fonte de anticorpos que a criança tem para os primeiros meses ou até anos de vida.

em muitos casos, várias mães e pais caem no conto dos (maus) médicos que dizem que a criança deve tomar algum leite artificial para ajudar em sua alimentação e por isso contribuem para o desmame precoce de seus filhos.

pra piorar, há ainda há quem diga que deu mesmo leite artificial pro seu filho, entuchou comida cedo e "ele está bem". em primeiro lugar temos que definir de uma vez por todas o que é estar bem.
vejo várias pessoas que dizem ter mamado por pouquíssimo tempo quando bebê e que não tem perfeitas condições de saúde ou que tem grande dificuldade de aprendizado por não terem desenvolvido plenamente sua capacidade intelectual; em outros casos, pessoas com imunidade super baixa, que adoecem facilmente, o que pode ser reflexo de pouca ingestão do leite materno.
como as pessoas insistem em dizer que está tudo bem?  juro que não consigo entender isso.

além da amamentação exclusiva por seis meses, a orientação é que após esse período seja feita a introdução de outros alimentos, porém mantendo o aleitamento materno por até os dois anos de idade da criança, aproximadamente.

o ministério da saúde do brasil criou agora em 2009 um documento científico para divulgar aos médicos sobre a importância da amamentação e os risco do desaleitamento materno precoce intitulado "a legislação e o marketing de produtos que interferem na amamentação: um guia para o profissional de saúde".
logo no começo esse material diz:

“embora o leite humano e a prática de amamentar sejam o melhor, muitas crianças são desmamadas precocemente e alimentadas com substitutos do leite materno com a utilização de mamadeiras. a substituição dessa prática natural representa importante fonte de lucros para produtores e distribuidores desses produtos. assim, uma eficiente promoção comercial utilizando técnicas de marketing abusivas é atitude que necessita ser controlada também pelos responsáveis pela Saúde Pública (...)”.

nos faz pensar, não?
abraço

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* link para a publicação do ministério da saúde: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/legislacao_marketing.pdf

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

balde 1: chupeta (acredite, os males são maiores que os benefícios)




dando início a sessão "chutando os baldes do senso comum", falarei rapidamente sobre porque não temos o menor interesse em dar chupeta ao tito e porque esse objeto aparentemente inofensivo para a criança pode trazer muitos danos a ela.

muitas mães e pais defendem o uso da chupeta para acalmar o bebê nos momentos de choro e facilitar a às vezes árdua tarefa de por o bebê para dormir. no entanto, esse hábito esconde alguns malefícios que, com o passar do tempo, podem ser tremendamente superiores que esses benefícios conquistados rapidamente e sem exigir muito esforço dos pais.


atrapalha a amamentação
em vários textos que li a preocupação com a amamentação do bebê que usa chupeta é enorme por parte dos especialistas. ao ficar com a chupeta na boca, a criança fica com a língua posicionada de uma maneira diferente da forma como a língua se comporta no momento de sugar o seio da mãe para mamar. o resultado é que, ao mamar, a criança tenta repetir o mesmo movimento que faz com a chupeta e, por não conseguir uma mamada tão eficiente, o leite demora mais para sair, o que pode irritá-la ou fazer com que a criança tenha uma ingestão menor de alimento que deveria ter.
um efeito colateral disso é que ela passa também a ingerir mais ar no momento da mamada, o que pode acarretar em muitos gases e desconfortos abominais em seguida.


prejudica a mastigação e a deglutição de alimentos
li em alguns textos e reportagens que o uso da chupeta pode deixar a criança com os músculos das bochechas, língua e boca flácidos, o que poderá acarretar em dificuldade de mastigar os alimentos e degluti-los da forma adequada.


prejudica a fala
outro problema ocasionado pela flacidez de alguns músculos da face é a fala mole e meio "desajeitada" da criança, com sons distorcidos e difíceis de entender.
"O uso freqüente e prolongado pode levar à má oclusão, respiração pela boca e enfraquecimento dos músculos do rosto", diz Patrícia Borges França, fonoaudióloga da Unicamp.


prejudica a formação da arcada dentária
segundo o site "guia do bebê", da uol: "Outra conseqüência que a chupeta traz é a alteração da arcada dentária como a mordida aberta e a mordida cruzada. A criança fica com os dentes tortos e com a face desarmônica, isto é, um lado do rosto diferente do outro, contribuindo ainda mais para a dificuldade de mastigar, deglutir e falar."

fora esses males encontrados na pesquisa, eu pessoalmente acredito que o uso da chupeta contribui para a diminuição da relação afetiva entre os pais e o bebê. é fácil dar a chupeta para que a criança se acalme e "não incomode" com seu choro ou "manhas", e isso diminui as chances que os pais e mães teriam de conversar para acalmá-la, dar colo, carinho, brincar, passear etc.

paternidade ativa é paternidade participativa!
vamos evitar ao máximo o uso de chupetas e aumentar os nossos consolos às crianças em formas de abraço, colo e bastante carinho.


abraço.