terça-feira, 6 de julho de 2010

rosa é apenas uma cor

há dois finais de semana a nanã e eu fomos à repeteco (um brechó super arrumado com roupas, brinquedos e acessórios infantis em excelente estado, por um preço bem justo) comprar roupas para o tito. na saída, a nanã passou na sessão de roupas novas (por favor, não lembre da banda) e viu uma camiseta rosa muito bacana do tamanho do tito e perguntou se podia levar.

eu estava ao lado do caixa e respondi que tudo bem levar.
"mas é rosa", ela disse.
"e...? leva aí, vai ficar mó bacana nele, rosa é só uma cor".

as duas moças do caixa me olharam e disseram que nunca viram isso na loja, que os pais são sempre preconceituosos com esse lance de cor, etc etc.

a camisa foi pra casa conosco e o titão já usou-a.
afinal, é apenas uma cor.
(e ficou bem legal, vai)

abraço.

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imagem: arquivo pessoal

terça-feira, 29 de junho de 2010

o recomeçar

começar de novo, sacudir a poeira, reerguer-se, voltar ao início, ressurgir das cinzas.
recomeçar não é simples e, muitas vezes, não é fácil.


há algumas semanas atrás o ritmo de sono do tito piorou e fazer ele dormir passou a ser um verdadeiro desafio diário (e com proporções muito maiores para a nanã que para mim, assumo). a rotina de "acalmar" a casa ao anoitecer, colocá-lo no sling, por as duas músicas do beirut que ele curte e balançar em passos ritmados e constantes não estava mais funcionando bem para fazê-lo dormir e engatar no sono da noite. além de ter começado a demorar pra ele dormir desse jeito (nosso palpite é que ele "sacou" que a gente estava pondo-o para dormir e aí ele protestava a fortes pulmões), o tito passou a acordar mais vezes ao longo da madrugada e só acalmava se mamasse no peito ou se eu o colocasse no sling e ficasse um bom tempo balançando.
não dava mais, mudamos.


paramos com a cama compartilhada, montamos o berço dele em nosso quarto e combinamos de fazer uma transição do nosso quarto para o quarto dele de forma gradual.
a estadia dele com o berço em nosso quarto durou pouco, porque ele estava muito agitado e acordar várias vezes, tirá-lo do berço e colocá-lo de novo também estava nos matando.
não dava mais, mudamos.


põe o berço e o tito (necessariamente nessa ordem) no quarto dele e vamos torcer para dar certo.
nas primeiras noites deu certo, mas depois ele voltou a se agitar e a acordar demais no sono noturno e deixara agora não só a nanã e a mim insones, mas também a minha irmã, que felizmente fica conosco ao longo da semana e, quando está por aqui, dorme no quarto do pequeno.
mudamos novamente.


como ainda não queremos cobrar dele a maturidade para que durma sozinho e se acalme e se conforte por conta própria, ele voltou ao nosso quarto e assim reavivamos a cama compartilhada, agora com uma rotina um pouco diferente da de antes: sem música, sem sling, quem faz ele dormir de noite é apenas a nanã e com ele mamando. depois vão os dois para a cama e dormem.
se ele dá uma acordadinha de leve de madrugada, nanã dá de mamar e ele volta a dormir, caso contrário, eu pego-o no colo e fico até que ele durma.
por enquanto tem funcionado bem, mas já estamos ok com a idéia de que isso pode mudar em breve (ou não), dependendo do sono dele.


e assim a gente segue, buscando no recomeço um lugar mais confortável que o comodismo.




p.s.: deixá-lo chorando em seu quarto, no berço, sem dar assistência por algumas noites até que ele "aprenda" a dormir sozinho é sim uma opção. mas a gente sempre a descarta.


p.s. 2: eu to de volta.


imagem: windows restart icon (criado por http://www.deleket.com/)

terça-feira, 23 de março de 2010

banho de balde



em 1996, na holanda, criaram o tummytub, ou o "balde" que você vê aí na foto.
a idéia é bem simples, mas muito eficaz: tornar o banho do bebê o mais próximo possível do ambiente com o qual ele estava acostumado por meses, durante o período de gestação (calor constante da mãe, água, espaço restrito e aconchegante, posição fetal).

para o banho ser bacana e relaxante assim não é preciso de fato ter o próprio tummytub; um balde convencional, porém com a abertura um pouco mais larga e estrutura resistente, serve bem ao propósito e deixa o bebê tão calmo e feliz quanto.

desde seu segundo dia de vida o tito toma banho de balde e adora.
ele até já chegou a dormir no banho, de tão relaxado que ficou!
se não for no balde, damos banho com ele no chuveiro, em pé (banho dois em um mesmo).

há mais ou menos um mês atrás o tito tentou por várias vezes fazer força para ficar em pé no meio do banho e isso começou a nos preocupar, porque a coisa parecia que iria se tornar arriscada (perigo do balde virar, dele bater a cabeça na borda por conta dos movimentos de tentativas doidas de pulo, etc).

em todas as vezes que isso aconteceu a gente pegava os pés dele e puxava numa boa pra cima de novo, fazendo com que ele ficasse com o bumbum na base, costas bem apoiadas, pernas pra cima.
funcionou.
parece que ele sacou que o banho sentadinho continua sendo legal e aconchegante e ele tem deixado as tentativas de pulo para quando está em terra firme – ou, no caso dele, em colchão firme.


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foto: arquivo pessoal

terça-feira, 16 de março de 2010

quando me pego cantando

o tito presta bastante atenção em vozes masculinas.
talvez pelo tom grave ser tão diferente do da mãe, normalmente suave e constante.
quando tem uma roda de pessoas conversando, normalmente ele pára de brincar e fica com o olhar atento a todos os sons, todas as vozes; mas isso acontece especialmente com vozes masculinas.
não sei se acontece com outros bebês, mas é algo que estamos curtindo descobrir junto dele, observar, rir.

hoje pela manhã estava preparando o café com a nanã, tito na cadeirinha, e eu começo a cantar uma música do karnak, que tem o tom bem baixo, bem grave.
depois de um tempo olho para o lado e vejo ele me encarando com as sombrancelhas levantadas, a boca aberta e um olhar de "o que é isso que o papai tá fazendo?".
muito lindo.

eu parava de cantar e ele voltava a brincar, a se interessar pelas próprias mãos, pés, etc.
voltava a cantar e a mesma cara de atenção e surpresa voltava ao seu rostinho.
eu sorri.

será que isso acontece apenas pela diferença da voz mais aguda que ele ouve o dia todo, desde a gravidez?
será que instintivamente ele sabe que a sua voz ficará mais grave no futuro?
será que eu to viajando?

abraço.
até semana que vem!

quarta-feira, 10 de março de 2010

a tal da cama compartilhada


para alguns, é tabu; para outros, a salvação.
desde que nos tornamos pais, ouvimos amores e dissabores em relação a cama compartilhada com os filhos e por isso resolvi perguntar mais e mais para quem tem filho o que acham a respeito, se concordam, se já tentaram, quais foram suas experiências etc e tal.

no geral, o grande medo encontrado nas pessoas é do filho se tornar dependente e manhoso demais por dormir na mesma cama que os pais.
outros defendem bastante a idéia de compartilhar a cama por várias razões: praticidade para a mãe amamentar; mais tranquilidade para os pais, já que o bebê está ali ao lado; sono mais prolongado do bebê, por estar cercado pelo cheiro da mãe, com fácil acesso ao peito para mamar quando quiser, calor humano, e a lista segue...

a gente tentou por uma semana deixar o tito no berço em nosso próprio quarto.
nada feito.
ele acordava a cada hora, se mexia muito, resmungava, a nanã tinha que se levantar a todo instante pra ver se era fome ou alguma outra coisa.
não demorou para a gente deixá-lo dormir conosco na cama, mas aí surgiram alguns pequenos problemas: ele não podia ficar em nenhum canto da cama para não correr o risco de bater com a cara na parede ou cair no chão, se ficasse do outro lado. ok, deixa o menino no meio. mas aí a nanã passou a dormir pior ainda, pois eu me mexo muito e ela passava as noites com um olho aberto e outro fechado pra garantir que eu não rolasse sobre o tito.
(aliás, num dia eu tava de costas para ele e comecei a me virar para ficar de barriga pra cima, quando senti uma mão impedindo meu movimento, segurando minhas costas. ela, com seus poderes de jedi, abriu os olhos naquele exato instante e garantiu que eu não virasse pra cima do tito. ufa).

legal, o jeito é ter uma cama king size.
tá, não vai rolar...
a gente desistiu de ter cama, colocou nosso colchão de casal no chão, acoplou um colchão de solteiro ao lado e bingo, nossa king size estava improvisada ao nosso jeito e o tito teria todo espaço do colchão de solteiro para dormir, com a nanã logo ao lado, já em nosso colchão de casal.
o resultado foi ótimo!
noites melhores e mais prolongadas, bebê dormindo mais tranquilo e mamando as vezes sem acordar (!), esposa um pouco mais disposta ao acordar (pois não teve que se levantar da cama várias vezes na noite), pai com mais espaço para se virar, e se virar, e se virar e... bom, vocês entenderam.

por enquanto, estamos contentes com a escolha e certos de que fizemos o melhor, tanto para ele como para nós.
sobre o medo da criança se tornar dependente e manhosa demais citado no início do post, bem, nós não acreditamos nisso.
acreditamos que quanto mais carinho e afeto os pais darem nos primeiros meses de vida dos filhos, menos carentes e manhosos eles serão no futuro, pois tem a certeza de que são amados, queridos e de que seus pais tem muito afeto e carinho para dar quando eles precisarem, sem que nenhuma barra precise ser forçada.

e você, o que acha?
diz aí a sua visão ou experiência sobre o assunto.

terça-feira, 2 de março de 2010

o copo vazio e o copo cheio da nossa mídia


há um fenômeno engraçado aqui no brasil relacionado a mídia. via de regra, se passou na tv ou algum famoso fez, é porque é legal, é bacana, e é verídico. isso acontece com vários assuntos e temas e, pelo o que tudo indica, assim continuará.

até alguns meses atrás minha esposa e eu éramos malucos, bichos-grilo, e até irresponsáveis (!?) porque escolhemos fazer um parto em casa, natural. eis que minha amiga modelo gisele (sim, a büdchen) resolve ter um parto natural domiciliar e na água e do nada a coisa vira cool, interessante.

não é engraçado? depois que a matéria sobre o parto dela passou no fantástico ninguém mais me falou que a gente era doido por querer um parto em casa. as reações passaram para "ah! que legal! igual ao da gisele, né?".
(na verdade não, ela é que teve um parto igual ao nosso!)
mas não quero discorrer sobre isso. quero apenas lamentar por nós ainda sermos tão influenciados pela mídia, seja para coisas boas ou para coisas ruins, e também comemorar pelo espaço crescente (graças a alguns famosos, principalmente) que temas como aleitamento exclusivo por seis meses e partos naturais e humanizados (domiciliares ou não) estão tendo em nossos meios de comunicação de massa e a repercussão que esses temas vem ganhando.

vendo o copo meio vazio, porém, as matérias e reportagens que vi até então não são de todo assim tão boas.
na própria matéria sobre o parto da modelo que passou no fantástico fala-se muito mais sobre o fato de o bebê ter nascido na banheira que sobre o parto ter sido em casa, ter sido natural, acompanhado por uma parteira! a matéria passou longe de comparar os riscos (tanto para mãe como para o bebê) que as intervenções médicas de rotina em hospitais oferecem com os eventuais riscos (que são menores) de um parto humanizado, natural e domiciliar.

depois, creio que na semana seguinte, teve matéria especial no programa da silvia popovic, que mostrou claramente uma apresentadora despreparada e que não sabia quase nada sobre o tema: partos naturais.
no mesmo programa tivemos a médica obstetra humanizada betina bittar aproveitando muito pouco a chance que teve de falar mais sobre o assunto que ela domina e, pra piorar, um médico defensor de partos exclusivamente em hospitais distorcendo alguns fatos e mostrando-se um tanto quanto preconceituoso com as parteiras ao dizer que a parteira que apareceu numa reportagem especial provavelmente não tinha formação médica ou preparação "formal" para exercer suas funções.
pra desgosto dele, a senhora parteira em questão não só é graduada como também tem mestrado, doutorado e pós-doutorado sobre o assunto!

vendo o copo meio cheio, há uma onda de conscientização que cresce aos poucos, inclusive acerca de temas relacionados a saúde, que me leva a crer que as pessoas passarão a se questionar mais e buscarão mais informações coerentes e embasadas em dados científicos antes de tomar uma decisão tão importante como o tipo de um parto.

para quem está para parir ou pensa em ter mais filhos, vale a pena conferir a boa matéria feita pela pais&filhos, que mostra que "mais de 70% das brasileiras querem fazer parto normal, mas só 10% conseguem", sendo as cesarianas desnecessárias o maior agravante para esse cenário.

até semana que vem.

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imagem: www.zazzle.com.br

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Matriarcado x Patriarcado


por: João Ricardo Keunecke


É de uma tradição afirmar uma idéia argumentando com a ajuda  de parábolas ou metáforas, então, mais abaixo, segue  uma lenda que recolhi em um livro ( não consigo me lembrar qual ), para apoiar o meu ponto de vista..
Penso que nós homens aprendemos a maturidade (entenda-se por participar de maneira rica, altruísta e responsável em nossa sociedade) passando de fase em fase; há a infância onde nos educamos física e mentalmente para as leis morais e éticas, uma baita diversão pois podemos transgredir à vontade; há a juventude onde experimentamos nossa capacidade de assimilação e resposta ao aprendido na infância  (e é bonito como fazemos ajustes nesta fase, não? São algumas mulheres, viagens, ideologias,  amigos e profissões) e então vem o “grande enfrentamento consigo” que é a construção de uma  nova célula social, “ a família”. Acredito que não há  nada mais eficiente como crescimento e inserção social para um individuo, aí temos que viver com o outro sexo  e aprender essas demandas opostas e complementares às nossas. Não é fácil não, é tarefa para poucos que queiram fazer em alto nível, mas bem conduzido o encontro é de uma alegria sem igual. 

A Lenda


Conta uma lenda indígena antiga que a tribo era comandada pelas mulheres. Estas se reuniam em uma grande oca que foi construída pelos homens e lá vivenciavam os mistérios (para os homens) da menstruação, gestação e parto. Os homens abasteciam essa grande oca com tudo que era pedido, mantinham respeitosa distancia da grande oca e ficavam admirados quando de tempos em tempos iam aparecendo de dentro da oca novos indiozinhos; era um poder e tanto destas mágicas mulheres. Certo dia um homem mais curioso rompeu o medo, superou a sacralidade que a grande oca inspirava  e, aproximando-se,  pôde observar o que se passava no interior desse lugar sagrado do matriarcado. Viu então as zombarias e as brincadeiras entre as mulheres com a ignorância dos homens sobre a natureza da fecundação e do nascimento dos indivíduos. Quando, este mais corajoso,  levou a informação do que vira aos outros homens não tardou que uma grande raiva se formasse e, tomados por esse furor, invadiram a grande oca e massacraram todas as mulheres. Demorou um bom tempo para que as crianças meninas poupadas crescessem e se restabelecesse uma nova ordem na tribo, uma ordem patriarcal.

Com essa alegoria podemos resumir um pouco as origens do que foi a  real  passagem histórica do poder do matriarcado para o patriarcado que experimentamos já há alguns séculos, patriarcado esse que instalado foi anulando as mulheres, negando direitos, submetendo e até queimando vivas as que ousassem insistir contra.

Atualmente está em curso uma  mudança,  as mulheres vão conseguindo mostrar a necessidade de uma igualdade entre o masculino e o feminino. Alguns homens não aceitam e pretendem a velha tradição de submissão do feminino, e em cada lugar do mundo esta submissão é mais ou menos terrível.  Já outros homens   querem experimentar essa igualdade e se livram de velhas tradições construindo uma equiparação, tudo muito lento como qualquer ato da humanidade.

Meu ponto de vista pessoal consta de duas   experiências: no primeiro casamento tive dois filhos e vivia uma tradição onde eu trabalhava bastante como diretor comercial  e, como bom provedor, pagava boa escola, babás e tudo que a família precisasse. Tinha poder, mas não tinha a sensação de satisfação real e direta, sempre era indireto, sempre era a mãe que tinha essa intimidade com os membros da família.
Agora neste segundo casamento (quase dois filhos: o segundo estará chegando dentro de 3 meses) busco uma nova forma e me aproximo dos afazeres domésticos com mais intimidade e humildade, fico feliz em  ver minha pequena (Sofia, 3 anos) crescer e brincar, sei que participei pois todos os dias acordo primeiro que minha esposa e preparo além da minha refeição a da pequena (suco e mingau), faço companhia enquanto ela come e aí sim começamos as brincadeiras e depois a escola.

Sei que é real, pois estou ali perto. Claro que depois vou sair para a uma vida social/profissional que também é rica, intensa e motivadora. Então, hoje em dia não tenho tensão em realizar afazeres domésticos e os acrescento ao meu trabalho profissional para a sociedade; não questiono mais,  simplesmente me responsabilizo pela minha felicidade fazendo a minha parte, a parte da mulher é um problema dela, mas aí é outra história.


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João Ricardo Keunecke


Psicoterapeuta Junguiano ( Psicologia Profunda)
51 anos, Pai de Mauricio 21, Marina 18, Sofia 3 e com minha esposa grávidos do Marcos Victor ( esperado para maio 2010)